Socialistas acusam Governo de estar a destruir Serviço Nacional de Saúde
DATA
21/01/2015 12:00:45
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Jornal Médico
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Socialistas acusam Governo de estar a destruir Serviço Nacional de Saúde

PizarroManuel

O Partido Socialista acusou ontem o Governo de estar a destruir o Serviço Nacional de Saúde (SNS), com medidas como a possibilidade de as urgências privadas poderem vir a tratar doentes em alturas de maior afluência aos hospitais.

O deputado socialista Manuel Pizarro sublinhou à agência Lusa que a situação no SNS é "de verdadeira catástrofe" e frisou a "enorme incapacidade do Governo e do ministro da Saúde", em responder a um maior fluxo de utentes nas urgências dos hospitais públicos, por causa da epidemia de gripe.

"O Governo sabe, desde meados de Dezembro, que está a ocorrer em Portugal uma epidemia de gripe e sabe porque isto já aconteceu múltiplas vezes e é necessário intensificar a capacidade de resposta do SNS", referiu, lamentando as oito mortes registadas até agora nas urgências dos hospitais.

Salientando a "intenção do Governo na destruição do serviço público de saúde", Manuel Pizarro, médico de formação, denunciou a resposta tardia do Governo com medidas que constam de um despacho assinado pelo secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, a 9 de Janeiro, quando já tinham ocorrido três mortes em serviços de urgência.

"As medidas que estão a ser anunciadas – abertura dos centros de saúde, reforço das equipas na urgência – deviam ser tomadas há um mês atrás e ter-se-ia poupado muito sofrimento inútil aos portugueses, e dado ao SNS capacidade de responder às necessidades das pessoas", afirmou o secretário de Estado da Saúde entre 2008 e 2011.

Aludindo à possibilidade de o Governo "pagar o recurso das pessoas ao serviços privados", em alturas de maior afluência aos hospitais, Manuel Pizarro vincou que "a verdadeira intenção do Governo é pôr em causa o SNS".

"Ao fim destes quatro anos de cortes sucessivos e brutais nos serviços públicos e nos hospitais públicos, que se vê agora que puseram em causa a capacidade de resposta do Governo, encontra-se, subitamente, dinheiro, não para financiar hospitais públicos, mas para pagar a ida das pessoas para o serviço privado", observou.

O secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, negou a existência de um “período de emergência ou caos generalizado” devido à gripe e pediu para que não se associe mortalidade com crise ou cortes na saúde.

O governante disse estar farto “de inverdades sistemáticas de que há menores probabilidades de se sobreviver ao Inverno, por causa dos cortes no Serviço Nacional de Saúde”.

“Como também não é verdade que as mortes nas urgências estejam relacionadas com atrasos nos atendimentos”, acrescentando que todos os anos morrem nos serviços de urgência hospitalares 10 mil portugueses, dos quais 50 a 60 mil que morrem nos hospitais.

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Editorial | Luís Monteiro, membro da Direção Nacional da APMGF
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