
O presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE) anunciou hoje que o Governo reconheceu o subfinanciamento desta instituição com um reforço de verbas que permitirá o equilíbrio das contas em 2014.
Desde que a ULSNE foi criada para gerir a saúde nesta região, há dois anos e meio, que tanto administração como outros agentes locais, nomeadamente autarquias, reclamavam do orçamento atribuído por entenderem ser insuficiente para fazer face aos custos dos cuidados prestados.
O presidente do Conselho de Administração, António Marcôa, adiantou hoje, num balanço de dois anos de mandato, que os esforços locais deram resultados e que acabou de receber o contrato de financiamento da tutela para o próximo ano, com um aumento do orçamento.
Segundo explicou, esse aumento resulta de o Ministério da Saúde não aplicar à ULSNE a redução orçamental geral de 3,5% e ter ainda atribuído um valor de convergência superior a cinco milhões de euros, equivalente ao aumento da capitação em 37 euros por habitante.
Até aqui, a ULSNE recebia 535 euros por habitante, um valor que estava previsto ser reduzido para 516 euros em 2014, com a saída de Vila Nova de Foz Côa da gestão, mas que será aumentado para 572 euros por habitante com o reforço financeiro.
Apesar de em relação a outras unidades com as mesmas características, a do Nordeste continuar a ser a que tem menor capitação, o administrador garantiu que este reforço permitirá pela primeira vez na última década terminar o ano de 2014 com um saldo nulo e sem acumular dívida.
“Pela primeira vez teremos condições para pagar os compromissos assumidos e a dívida não será aumentada”, afirmou, garantindo que “doravante toda e qualquer factura que é emitida mensalmente é religiosamente paga”.
Por resolver está contudo a dívida antiga acumulada que ultrapassa os 20 milhões de euros e que António Marçôa reconheceu que só será possível amortizar com a ajuda de programas especiais como aconteceu recentemente, em que o Ministério da Saúde abateu parte da dívida destas entidades, medida de que também beneficiou a ULSNE.
De acordo com a vogal da ULSNE, Aida Palas, “ainda há fornecedores a quem não foram pagas facturas de 2011”, concretizando que se trata sobretudo da indústria farmacêutica, com quem a instituição vai negociando perante algumas ameaças que confirmou já terem existido de suspensão de fornecimento.
A administradora ressalvou, contudo que “há fornecedores a quem a ULSNE paga a 60 dias”, mas concretizou que o tempo médio de pagamento está “nos 400 dias”.
As características da região com um vasto território e dispersão geográfica dos cerca de 140 mil utentes servidos por três hospitais e 14 centros de saúde aumentam, segundo os responsáveis, os custos da saúde e foram sempre apontadas como justificativas da necessidade do reforço de verbas.
Por favor faça login ou registe-se para aceder a este conteúdo
Qual é a relação entre medicina e arte? Serão universos totalmente distintos? Poderá uma obra de arte ter um efeito “terapêutico”?